Conferência pede 100% de coleta seletiva em BH até 2016

A Conferência Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte, realizada nos dias 20 e 21 de julho, contou com cerca de 300 participantes. Convocada por entidades da sociedade civil, a conferência teve a presença lideranças de movimentos sociais, ambientalistas, cooperativas de catadores, técnicos da área de resíduos sólidos, e de convidados da Prefeitura de BH e do Ministério do Meio Ambiente.

Além das 20 propostas que serão encaminhadas à conferência estadual, outras 20 propostas serão encaminhadas ao Executivo Municipal. As mais votadas, desse grupo, foram:

1 – Ampliar gradualmente a coleta seletiva,  para atingir a cobertura de 100% do Município em 2016, com a inclusão sócio-produtiva dos catadores e integrando processos de capacitação,  de geração de emprego e renda, o meio ambiente, ações sociais, culturais e de saúde.

2 – Ampliar o perímetro de tombamento da Serra do Curral para incluir:
a) toda a área do Parque da Baleia;
b) as nascentes dos córregos Olaria, Santa Terezinha, Taquaril, Navio/Baleia, Cardoso e Joões;
c) a área do muro dos escravos;
d) a área conhecida como “caminho das águas Frei Prudente Nery.

Nesta terça-feira, dia 30 de julho, os membros da Comissão Organizadora Municipal se reúnem para preparar o relatório final e definir sobre o encaminhamento a ser dado às propostas.

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Dia da Proteção das Florestas: Um marco para conservação do meio ambiente

Saiba como os projetos de preservação das florestas brasileiras resistiram à intervenção do homem e ganharam relevância com a ajuda da sociedade

publicado por

Ingrid Araújo

Floresta

Foto: pixabay

Há tempos o governo e órgãos privados buscam soluções para a conservação das vastas florestas brasileiras. Nos anos 1990, oPrograma Piloto de Proteção das Florestas Tropicais (PPG7) foi um deles, surgindo como um primeiro alerta para a necessidade de se preservar melhor nossas florestas, isso depois que o Brasil passou a receber certa pressão de veículos de comunicação internacionais sobre desmatamentos, lembra Garo Batmanian, gerente do PPG7.

Com o apoio do G7 – grupo dos países mais desenvolvidos e influentes do mundo –, o PPG7 recebeu R$ 428 milhões para usar na conservação da Floresta Amazônica, Mata Atlântica e ainda programas de educação ambiental para a sociedade. Em 1997 o programa virou decreto, estabelecendo que a iniciativa ambiental envolveria além de verba internacional, o trabalho conjunto dos governos federal, estadual, municipal e a sociedade civil organizada.

Além do PPG7, outra diretriz para conservação ambiental foi estabelecida, o Novo Código Florestalrevisado pela presidente Dilma Rousseff em 2008, ampliou as APPs (Áreas de Preservação Permanentes) e incluiu além das florestas, manguezais, zonas úmidas e apicuns (brejo) nas áreas de conservação.

Estas medidas resultaram na diminuição dos índices de desmatamento no país. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, em 26 anos o Brasil conseguiu o menor número de desmatamento de área verde representando somente 28,8% de 6.418km² entre julho de 2011 e o mesmo mês do ano passado.

Preservação na prática

Já vimos o que o governo tem feito para diminuir os riscos. Agora precisamos saber na prática como vamos aprender a preservar as florestas brasileiras, mesmo vivendo em ambientes urbanos. A bióloga Bruna Ernandes acredita que “a conscientização de crianças é a forma mais profunda e delicada de alcançarmos os adultos. Quanto mais recorrente for a abordagem, maior será sua apropriação no cotidiano do indivíduo”.

O discurso contra o desmatamento é imprescindível na sociedade, mas é impossível deixar de pensar que a economia agrária e pecuarista do país precisam de espaço para crescer. A implantação de políticas que incentivem a sustentabilidade nas comunidades que dependem destas atividades pode ser um passo importante para agredir menos as florestas.

Agora conheça as mais belas florestas brasileiras e ajude a preservá-las:

Floresta Amazônica

Floresta Amazônica – Foto: Lubasi

Mata Atlântica

Mata Atlântica – Foto: Blog edhorizonte

Floresta de Araucárias

Floresta de Araucárias – Foto: ra-bugio

Floresta no Amapá

Floresta no Amapá – Foto: greenpeace

Floresta no Rio Grande do Sul

Floresta no Rio Grande do Sul – Foto: florestalconsultoria

Mata de Cocais

Mata de Cocais – Foto: principaisflorestasmundiais

Fonte: http://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/dia-da-protecao-das-florestas-um-marco-para-conservacao-do-meio-ambiente/?utm_source=facebook&utm_medium=fanpage&utm_campaign=dia-protecao-florestas

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‘Aspirador gigante’ será usado para sugar poluição da Pampulha

Já está sendo montado maquinário que vai retirar do fundo da lagoa o equivalente a dois anos de assoreamento, ou quase 10% do volume do reservatório. Dragas flutuantes tentam melhorar aspecto da represa para a Copa, mas medida, sozinha, é considerada insuficiente

Mateus Parreiras

Junia Oliveira –

Publicação: 17/07/2013 06:00 Atualização: 17/07/2013 09:45

Já está sendo montado maquinário que vai retirar do fundo da lagoa o equivalente a dois anos de assoreamento ( jair amaral/em/d.a press)
Já está sendo montado maquinário que vai retirar do fundo da lagoa o equivalente a dois anos de assoreamento

Começa na próxima semana a dragagem de sedimentos e lixo do fundo da Lagoa da Pampulha, um dos processos previstos pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para tentar despoluir até a Copa do Mundo de 2014 o reservatório, que é um dos símbolos da capital mineira. Cerca de 800 mil metros cúbicos de material depositado no leito contaminado serão removidos por dragas flutuantes em oito meses de trabalho, de acordo com técnicos do Grupo Ambitec, contratado para o trabalho. Dessa forma, o término da ação fica estimado para fins de março ou início de abril.

Para que se tenha uma ideia, o material que será removido ao custo de R$ 108 milhões representa 8% do volume total da represa (10 milhões de metros cúbicos). Especialistas alertam, no entanto, que apenas essa medida não será suficiente para melhorar o aspecto da lagoa, sendo ainda necessários o tratamento da água previsto pela PBH e a interceptação pela Copasa de esgotos clandestinos lançados na bacia hidrográfica.

 (ARTE EM)

Com objetivo de fazer o desassoreamento, por trás das árvores e do mato que cresceu em um dos trechos do leito sedimentado da Lagoa da Pampulha operários se desdobram para montar os equipamentos e encanamentos trazidos da Alemanha. O maquinário que mais chama a atenção é o desidratador. O equipamento é do tamanho de um prédio de três andares e serve para separar a água do material sólido sugado do fundo do lago. Composta por 10 módulos metálicos – entre tubos e registros que precisaram ser transportados cada um em uma carreta –, a aparelhagem é capaz de separar até 1.700 metros cúbicos de detritos da água, por hora, ou cerca de 70 carretas em 60 minutos, se operar sem interrupções.

Enquanto um guindaste iça as peças para o desidratador, tratores e uma escavadeira preparam os espaços para os dutos que chegarão à lagoa, devolvendo a água sem sólidos. Nivelam também outra parte que servirá para encher caminhões com o material removido do lago. O destino dos veículos de carga é o aterro municipal da BR-040, no Bairro Califórnia, Região Noroeste de BH.

A retirada do material sedimentado no fundo da lagoa será feita por dragas flutuantes, semelhantes a balsas, mas com tubulações que percorrerão o fundo sugando pedras, lodo, pneus e lixo depositado ao longo dos anos. Os barcos são ligados ao desidratador por uma série de tubulações que permitem que se desloquem pelo espelho d’água, como se fossem aspiradores de piscinas em escala gigantesca. Duas dessas estruturas já estão posicionadas na parte do Parque Ecológico voltada para a lagoa. “Temos contrato para remover 800 mil metros cúbicos. Para isso serão necessárias mais de duas dragas, mas não sabemos ainda quantas ao todo. Vamos usar o que for necessário para cumprir o serviço”, afirma o engenheiro responsável pela operação do sistema, Fábio Suzuki. Ao todo, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) estima ser necessário implantar seis quilômetros de tubulações.

De acordo com o mestre em ecologia aquática e consultor de recursos hídricos Rafael Resck, a remoção dos sedimentos que acumulam material orgânico em decomposição poderá melhorar um pouco o aspecto turvo e o mau cheiro que exala da lagoa. “Um problema que ocorre quando tratamos da água, mas não dos sedimentos, é que ocorre uma recirculação do material em decomposição, que contamina a água novamente. Sugando a primeira camada de sedimentos do fundo, isso poderá ser minimizado”, avalia. Porém, tudo pode ser perdido se outros trabalhos de prevenção não forem feitos, como o monitoramento e a conservação das margens dos córregos tributários da Pampulha. “Esse volume a ser retirado equivale a cerca de dois anos de lançamentos de sólidos dissolvidos na água, que causam assoreamento. Enquanto houver ocupações irregulares e atividades que causem erosão de margens, o processo persistirá e essas medidas não passarão de paliativos”, alerta o especialista.

Operários trabalham na montagem do maquinário que veio da Alemanha para desassorear o reservatório ( jair amaral/em/d.a press)
Operários trabalham na montagem do maquinário que veio da Alemanha para desassorear o reservatório

Fonte: ESTADO DE MINAS

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Os inscritos deverão se credenciar no local do evento até  ao meio dia de sábado, conforme o regimento

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DA UTILIDADE DOS ANIMAIS

Carlos Drummond de Andrade

 
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Terceiro dia de aula. A professora é um amor. Na sala, estampas coloridas mostram animais de todos os feitios. É preciso querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que envolve toda a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito úteis. Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não é só ele não. A galinha, o peixe, a vaca… Todos ajudam.
 
– Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?
 
– Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de carga. Do pêlo se fazem perucas bacanas. E a carne, dizem que é gostosa.
 
– Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?
 
– Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo. Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.
 
– Ele faz pincel, professora?
 
– Quem, o texugo? Não, só fornece o pêlo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho vai usar quando crescer.
 
Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do canguru:
 
– Bolsas, mala, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando da carne. Canguru é utilíssimo.
 
– Vivo, fessora?
 
– A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz… produz é maneira de dizer, ela fornece, ou por outra, com o pêlo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.
 
– Depois a gente come a vicunha, né fessora?
 
– Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a crescer…
 
– A gente torna a corta? Ela não tem sossego, tadinha.
 
– Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?

– A carne também é listrada?- pergunta que desencadeia riso geral.
 
– Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser comestível por causa disto. Ah, o pingüim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados. Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento – não sabem o que é? O cocô do pingüim é um adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito da gordura do pingüim…
 
– A senhora disse que a gente deve respeitar.
 
– Claro. Mas o óleo é bom.
 
– Do javali, professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.
 
– Pois lucra. O pêlo dá escovas é de ótima qualidade.
 
– E o castor?
 
– Pois quando voltar a moda do chapéu para os homens, o castor vai prestar muito serviço. Aliás, já presta, com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar de um bom exemplo.
 
– Eu, hem?
 
– Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living da sua casa.
 
Do couro da girafa Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pêlos da cauda para Tereza fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade que vocês não cauculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa. O biguá é engraçado.
 
– Engraçado, como?
 
– Apanha peixe pra gente.
 
– Apanha e entrega, professora?
 
– Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.
 
– Bobo que ele é.

– Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras. Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu, Ricardo?
 
– Entendi, a gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o pêlo, o couro e os ossos.
 
(Texto extraído de Drummond, Carlos de. De notícias e não notícias faz-se a crônica. Rio de Janeiro, José Olympio, 1975)


VÍDEO

www.youtube.com/watch?v=tC2RflxqaNU

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UM PLANETA PARA O FUTURO

(*) Por Antônio Coquito

Em que condições você quer deixar a realidade socioambiental para os seus filhos e netos? Na sua agenda está em destaque o consumo consciente e responsável? O seu cotidiano incorpora preocupações com a poluição, o efeito estufa e a camada de ozônio? O que você consome na rua, joga a embalagem no lugar correto? O destino do lixo de sua casa e do seu trabalho segue padrões da coleta seletiva? A sua empresa incorpora práticas de responsabilidade e cidadania socioambiental? Na ação de governo em sua cidade, Estado ou no país, você percebe, sugere e participa da formulação de políticas públicas de respeito e preservação do meio ambiente e defesa de direitos? Enfim, você se sente corresponsável pelos problemas e desafios locais e de toda a sociedade? Você reflete na terra como patrimônio de todos nós?

Bom, para começo de conversa; se a todas as questões anteriores você diz sim, então está atento à nova consciência que tem movimentado a forma de gerir os negócios, o posicionamento de organizações sociais e os tratados de governos: o desenvolvimento sustentável. Trata-se de um modelo de progresso pautado na evolução gerencial de empresas e governos; mas, também nas atitudes individuais e coletivas, comprometidas com transformações socialmente responsáveis. Estas contribuindo para respeito ao meio ambiente, sua biodiversidade; equilibrando toda a ordem dos aspectos sociais e econômicos. Uma atitude de cuidado com o planeta e seu destino.

O mundo tem refletido a necessidade de uma postura diferente diante da condução dos rumos de nossa casa maior, a terra. Esta preocupação vem acompanhada de uma convocação para jeitos diferentes de ser e de fazer de todos nós. Somos provocados a agir no cotidiano, atentos ao que está diante de nós, nos posicionarmos como cidadãos ativos e propositivos. E assim, mudanças são incorporadas nos planejamentos estratégicos empresariais, nos planos e intervenções governamentais, crescendo a consciência pelo consumo responsável e ecologicamente correto. A sustentabilidade tem diversos desafios, eixos que nos conduzem a um mesmo propósito: sermos cuidadores planetários.

Prioridades socioambientais

Atentar para o planeta que temos, e o que queremos; com ele, nossa corresponsabilidade para deixá-lo em condições saudáveis. Este é o alerta foi dado pelo conjunto de estudos científicos e programas da Organização das Nações Unidas – ONU. Cito; “Nosso Futuro”, “Agenda21”, “Objetivos do Milênio”, “Protocolo de Quito” e “Painel Internacional de Mudanças Climáticas – IPCC”. Neste último, o IPCC adverte no relatório III que todos (entidades, empresas, governos e pessoas) somos chamados a fazer nossa parte por uma nova terra.

A convocação da ONU, através da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, é explicita em seus objetivos e intenções. Esta comissão define a primícia de que o modelo socioeconômico sustentável seja capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as gerações

futuras; não esgotando os recursos. Esta constatação desenvolvimentista esbarra em um mundo de comportamento, muitas vezes, inconsequente; ou seja, que consome, destrói e polui sem se importar com os rastros de devastação. É sinal claro da necessidade de mudar o foco exclusivamente do lucro a qualquer custo, onde o desenvolvimento econômico desconsidera seu poder de impacto e as correlações advindas, para um pensar produtivo que integra, também, a atenção com o ambiental e o social.

Falando do ambiente sustentável e de seus desafios, não podemos ignorar a interconexão de dois temas que falam direto à urgência da conjuntura pautada no desenvolvimento equilibrado. A comunidade científica internacional aponta como incompatível, a harmonia desejada com o cenário de vulnerabilidade social. Esta configurada nos altos índices de pobreza e, por outro lado, ainda, um descuido generalizado com os recursos e riquezas ambientais.

Para se ter uma ideia; somos cerca de sete bilhões de habitantes do mesmo território- a terra, uma verdadeira teia unida em causas e consequências. Portanto, também capaz de apontar soluções! Não dá para conviver ignorando contextos públicos, resultado das relações sociopolíticas e econômicas estabelecidas. A realidade diante de nós está a nos provocar; precisamos ter ações concretas. O mundo está gerando uma radiografia muito perversa, ou seja, três bilhões de pessoas estão vivendo abaixo da linha de pobreza. Isto significa; ausência de saneamento básico, moradias em locais inadequados, carência de participação cidadã, dentre outros. São prejuízos de ordem social inclusiva; uma necessidade do despertar do conjunto social para o entendimento de que a negação, em forma de exclusão que afeta a todos, adia o desenvolvimento sustentável.

Se não bastassem as condições de miserabilidade; os dados da ONU falam que no cenário ambiental destruímos 70% (setenta por cento) da vegetação original. Indo além, unindo meio ambiente degradado e condições de miséria, interferimos nos rumos e custos da saúde pública. A consequência no aumento da produção de gases como dióxido de carbono ou CO2, etano, óxido nitroso, dentre outros, que tem efeito danoso a vida humana e do planeta. Destes, vemos aparecer doenças antes não percebidas e o ressurgimento de outras que já estavam extintas ou controladas. Numa conjuntura global, presenciamos situação de saúde que assusta países ricos e pobres, bairros nobres e de periferia. Esta que afeta a todos, num retrato de epidemias que por descuido de todos e irresponsabilidade coletiva, trazem o risco de sermos afligidos por pandemias.

Brasil sustentável

No Brasil, o convite à consciência sustentável se apoia no relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – o PNDU. Segundo o documento, 46,9% da renda nacional concentram-se nas mãos dos 10% mais ricos. Já os 10% mais pobres ficam com apenas 0,7% da renda. E não para por ai, o sinal vermelho de alerta ambiental chama a atenção; já tivemos 1 milhão de km² de florestas costeiras. Hoje, dispomos de apenas 10% desse total.

Reforçando a constatação do PNUD, o Banco Mundial (Bird) analisa, através do relatório denominado “Onde está a riqueza das nações?”, também, as variáveis sociais e ambientais necessárias para o desenvolvimento sustentável. No documento, o BIRD fala da necessidade de confluência no Produto Interno Bruto – PIB, os recursos naturais e os bens intangíveis. Estes últimos formados por acesso à educação, saúde, eficiência do sistema judiciário, qualificação de mão-de-obra, emigrantes e crescimento populacional apontados como os mais significativos no relatório. Já no quesito ambiental são avaliados os recursos minerais, madeira, pastagens, áreas de cultivo e ritmo de esgotamento dos recursos naturais.

A situação brasileira, segundo dados do relatório do BIRD, está em condições piores do que a dos nossos vizinhos Argentina e Uruguai. A conjuntura brasileira tem adiado e deixado frágil a cidadania. Portanto, o não conhecimento e, consequente, não utilização dos equipamentos sociais e públicos por parte do todo da população; ao mesmo tempo, vimos o estrangulamento do potencial ecológico. O relatório do Banco aponta como solução sustentável a transferência de investimentos de uma área para a outra, equilibrando o déficit de sustentabilidade, ou seja, se temos potencial numa determinada área, que esta financie e promova o avançar de outra. Um exemplo sugerido no relatório é capitanear e concentrar recursos para áreas como educação, tratamentos de saúde, acesso à moradia etc. Isto significa encontrar caminhos para sanar, dar respostas rápidas e ágeis ao que emperra a sustentabilidade em suas interconexões e amplitude.

Governos, empresas e organizações não governamentais – ONGs estão consolidando uma rede de diálogo, uma rede onde atentam para o debate e compromisso socioambiental de atenção ao contexto planetário. Essa se fortalece no apoio e intervenção direta ou indireta, através de programas, projetos e ações para redução da vulnerabilidade social. Uma atitude séria, de responsabilidade do que temos com o que seremos. Então, pensar em sustentabilidade é comprometer-se com a cidadania local que extrapole para uma preocupação com o todo diante de nós, uma atitude que é incorporada às práticas de indivíduos e empresas.

O chamado está colocado, uma sociedade sustentável se fundamentada em três pontos que se interconectam; o desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente e a consciência de justiça social. Destes, devemos ter a clara compreensão para que nossos acordos e decisões, e os que são feitos em nome da humanidade superarem a condição de papel. Neste sentido, ampliarmos nossa compreensão para um compromisso com o que está diante de nós, e com o que mesmo distante, interfere na forma como vivemos. E muito mais, entender que somos responsáveis diretos; pessoas físicas e jurídicas, no local onde atuamos. Contribuindo assim pela gestão do planeta para nós e as gerações futuras.

(*) Antônio Coquito é jornalista profissional e assessor de comunicação do Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (Insea) -É especialista em marketing e comunicação – ênfase Temáticas Sociais, Cidadania e Direitos Humanos, Políticas Públicas, Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Socioambiental

 

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